quinta-feira, 31 de julho de 2008

DESCONEXO

Quando me perco em seus braços
Dentro de mim
Explodem versos desconexos.

Clau Assi

segunda-feira, 28 de julho de 2008

DEPENDÊNCIA


Que seria de mim se não soubesse
que o teu amor me ampara e me sustenta,
e que, no frio inverno, ele me aquece
e nas horas da fome me alimenta?

Que seria de mim se não pudesse
no teu amor, que em tudo me acalenta,
buscar a fuga do que me entriste
e a paz que a tua calma representa?

Ah, eu não sei, de fato, o que seria
viver sem esta luz que é o teu carinho,
sem ter em ti a estrela que me guia.

Se algum dia, afinal, não me quisesses,
só sei que certamente morreria
para então renascer onde estivesses

(Théo Drummond)

domingo, 27 de julho de 2008

MANTRA


Por mais que eu repita
Que todos saibam
Deixe-me gritar
EU TE AMO!
A frase
A lei
A sentença
Meu mantra
Mantra de amor.

Clau Assi

terça-feira, 22 de julho de 2008

MORTE



Hoje acordei decepção,
Dor,
Solidão.

Hoje acordei desengano,
Agonia,
Isolamento.

Hoje acordei verdade,
Realidade
Imposição.

Decepção
Desengano.
Verdade.

Hoje parte de mim
Acordou
A outra... morreu!

Clau Assi

sábado, 19 de julho de 2008

CICLO


Se a folha cai
não quer dizer
que vai morrer.
Um dia vai
reaparecer.
Após levada
por vento leve
é misturada
à terra fina
onde se esvai
pois se destina
ser humus, breve.
Assim, na vida,
a gente sabe:
nada termina
nada há que acabe.
Folha caída,
futuramente,
com placidez,
vai ser semente
e, de repente,
folha, outra vez.

Théo Drummond

CÓPIA


Folhas e flores artificiais
compõem o arranjo sobre a mesa.
Penso nas folhas e flores naturais
e me constranjo
diante da imitação de uma beleza
que a única capaz
de criar e exibir
é a natureza.

De frente à mesa
um lindo aquário.
Peixes de cores e tamanhos diversos
Ornamentado de algas e flores (artificiais).
Coagido
Penso no mar
Clonado
Sem seus encantos.

Théo Drummond/Clau Assi

quarta-feira, 16 de julho de 2008

SAUDADE


Saudade
Ponte sem fim
Que me liga a você
Ando
Ando
Corro
Não a atravesso
Saudade não acaba.

Clau Assi

segunda-feira, 14 de julho de 2008

PARCIMÔNIA


Escrevo com parcimônia.
Nossa língua tem vocábulos demais.
Posso dizer tudo - usando-os menos.
E assim faço versos,
com um mínimo de palavras,
deixando claro, no que não digo,
tudo o que preciso dizer.

Théo Drummond

quarta-feira, 9 de julho de 2008

CHAMADO


Importa que me chames
Menininha
Quando as rugas riem em meu rosto
Que me chames
Mulher
Quando o desejo em nossa pele aflorar
Importa que me chames
Amor
Quando a paixão nos olhos brilhar
De musa
Em eternos versos amorosos.

Menininha,
Mulher,
Amor,
Musa.

Mas acima de tudo
Importa que me chames
Alma Gêmea
Para sempre

Clau Assi

sexta-feira, 4 de julho de 2008

PRESENTE


Pudesse dar-te a estrela que aparece
antes da noite vir - tão branca e pura,
e que no céu, sozinha permanece
depois que a noite vem, soturna e escura.

Também dar-te-ia a lua, se pudesse,
e o sol, e as nuvens cheias de brancura,
e o vento, e as flores, tudo o mais que houvesse
para provar-te o amor que não tem cura.

Na verdade são sonhos que comigo
carrego na certeza de que não
poderei alcançar o que persigo.

Mergulhado em tremenda frustração
por perceber que nada mais consigo
eu só posso te dar meu coração.

Théo Drummond

TEU NOME

TEU NOME

Letra por letra,
Delicadamente, no pergaminho d’alma
Teu nome escrevi.

Clau Assi

quarta-feira, 2 de julho de 2008

POESIA


Fazer poesia é bom, se você ama:
os versos surgem mais naturalmente.
Por isso é que o poeta não reclama
quando sofre de amor - e é diferente.

A rima vem mais fácil quando sente
que amar é como alimentar a chama
que queima mas não dói, inconsequente,
e dá, ao poeta, do soneto a trama.

E assim o poeta cria o seu poema
que representa o amor que é seu dilema
mas que lhe traz a inspiração devida.

Pode sofrer, mas pelo sofrimento
ele torna alegria o seu tormento
e segue, poetando, pela vida...

Théo Drummond

terça-feira, 1 de julho de 2008

AGONIA


Agonizo
Em devaneios profanos
Contorço-me
Sou só sentidos
Brotam meus impudores
Cumprem-se meus instintos
É chegada a hora
Me queira
Me tome
Encaixe
Teu corpo
No meu.

Clau Assi