Ouço o cão a gemer, no meu vizinho.
É um gemido tão forte e dolorido,
Que deixa perceber que está sozinho
Pois sua companhia é o seu gemido.
O dia inteiro o caso repetido
Me faz pensar que a falta de um carinho,
Que é num gemer assim sempre pedido,
E entra na carne, qual se fosse espinho.
Sofro com ele e penso que este cão
deveria estar livre num jardim,
e não viver jamais nesta prisão.
E o dia corre e o uivo chega a mim
Ficando preso no meu coração,
Como se eu fosse o cão que uivasse assim.
Théo Drummond
(Do livro Soneto Louco e outras poesias, pág. 53)
(Do livro Soneto Louco e outras poesias, pág. 53)



1 comentários:
Veja como são as coisas, Théo. Eu aqui na correria por causa do meu Millu que nao anda bem nos altos de seus 17 anos. E tantos por ai tratam os animais como se fosse obejos descartáveis. Objetos esse que nao geram nenhum apego a eles. Que tristeza.
Mas por outro lado teu soneto é um show de sensibilidade e mostra da poesia a serviço dos menos favorecidos.
Parabéns, poeta. Muito bom te ler. Muito bom dividir o espaço contigo.
Beijo mega ternurento
Clau Assi
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