sábado, 17 de março de 2012

SARAU

Num tempo de breu
de braços estendidos
dor intensa
a vida soluçou-me
saudade imensa
ecoou-me.
Rígida e fria
qual tampo de mármore.

Poesia bendita
que em rimas suaves
sonho acordou
corpo e alma juntou.

Repara, vê!
Sob seu laço estreito
eu e você
atados num abraço
formamos o infinito
e recebemos a vida
de braços estendidos
soluçando amor.

Clau Assi

sexta-feira, 2 de março de 2012

ATA-ME


De corpo e alma, ata-me,

tronco firme de amor.

Carrega-me,

amarras rubras de sangue,

deslizando juntos,

eternidade afora, ata-me.


Clau Assi

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

NÃO DEVIA


Quando você, de fato, amar alguém,
Que desdenha esse amor e nem parece
Perceber esse amor que você tem,
Que como coisa ruím  a gente esquece,

E o seu amor, que tanta força tem,
Nem percebido seja e se confesse
A cada instante, neste olhar que vem,
Dizer, por tanto amor, quanto padece,

Vai morrer devagar, despercebido,
Como a folha que leva a ventania,
E some, como o amor já não querido,
 
Até que, sem querer, um belo dia,
Você vai se lembrar, arrependido,
Do amor que deixou ir e não devia.

Théo Drummond

sábado, 28 de janeiro de 2012

DE VOLTA AO LAR

Escuta!
Quando o acorde parecer final
e o brilho do sol parecer o último.
É retorno!
Ao lar.
Lá, onde te esperarei com flores na janela.

Clau Assi

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

ENTRE RENDAS


Cercado pelo concreto

em luz artificial

o amor explode

e nesse derrame

sentimento maior

transforma o mundo

num caminho

rendado de sol.


Clau Assi

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

PRISÃO

Ouço o cão a gemer, no meu vizinho.
É um gemido tão forte e dolorido,
Que deixa perceber que está sozinho
Pois sua companhia é o seu gemido.

O dia inteiro o caso repetido
Me faz pensar que a falta de um carinho,
Que é num gemer assim sempre pedido,
E entra na carne, qual se fosse espinho.

Sofro com ele e penso que este cão
deveria estar livre num jardim,
e não viver jamais nesta prisão.

E o dia corre e o uivo chega a mim
Ficando preso no meu coração,
Como se eu fosse o cão que uivasse assim.

Théo Drummond 
(Do livro Soneto Louco e outras poesias, pág. 53)

sábado, 31 de dezembro de 2011

ANO NOVO

...rompe livre

das mãos divinas

infante asas

céu rasgado

inaugura a era

de um tempo desnudo

em rastro recente

de recomeço

que segue

de mãos dadas

com a esperança...


Clau Assi

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

SONETO LOUCO E OUTRAS POESIAS

Para os interessados numa boa leitura e solidariedade fica a dica de fim de ano:

“Soneto Louco e outras poesias”, é o 21º livro assinado pelo poeta e autor Théo Drummond.
Assim como em todos os livros de Drummond, o valor arrecadado com as vendas será doado a uma instituição de caridade.
A escolhida, desta vez, é o Instituto Nacional do Câncer.
“Soneto Louco e outras poesias” é editado pela Editora Caravansarai. (http://www.caravansarai.com.br/LivSonetoLouco.htm)
Para deixar um gostinho de quero mais:
CICLO
(página 11)
Se a folha cai,
Não quer dizer
Que vai morrer:
Um dia vai
Reaparecer.
Após levada
Por vento leve,
É misturada
À terra fina
Onde se esvai
Pois se destina
Ser húmus, breve.
Assim na vida
A gente sabe:
Nada termina,
Nada há que acabe.
Folha caída,
Futuramente,
com placidez,
vai ser semente,
e, de repente,
folha outra vez.


Théo Drummond